Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

A "estréia" de Queiroz

Carlos Queiroz fará o seu primeiro jogo ao comando da selecção portuguesa, nesta sua segunda passagem pelo cargo, esta noite frente às Ilhas Faroé, um adversário frágil como se quer para uma partida de pré-temporada que permitirá ao seleccionador observar alguns jogadores que não eram escolhas de Scolari.

Para já, e sendo eu um admirador do trabalho de Queiroz, estou agradavelmente surpreendido com a sua postura e as suas escolhas. O afastamento de Ricardo era mais do que óbvio. As chamadas de Antunes, Eduardo, Danny e Duda mais do que justificadas. O regresso de Carlos Martins é para observar com cuidado já que se trata de um jogador muito inconstante. A ausência de Quaresma normal, embora Queiroz esteja a arriscar um pouco aqui. Vamos por partes.

Ricardo foi elevado à condição de herói nacional com base em duas premissas: 1) o ódio de benfiquistas e sportinguistas a Vítor Baía; 2) as grandes penalidades frente à Inglaterra. Acontece que uma selecção que quer conquistar títulos deve esperar mais do seu guarda-redes, do que ser bom em grandes penalidades e ter a simpatia do seleccionador e dos adeptos. Nos 3 competições em que Portugal participou, Ricardo apenas brilhou frente à Inglaterra e nas grandes penalidades. Aquilo que espero ninguém se esqueça é do frango que nos custou um título europeu, e dos frangos que nos afastaram do último Europeu.

Há vários jogadores que mereciam ter uma oportunidade na selecção, quer pelo seu talento quer pela falta de alternativas credíveis. Antunes e Eduardo surgem à frente dessa lista. O primeiro é o único lateral-esquerdo de raiz que Portugal tem, o segundo foi um dos melhores guarda-redes da temporada transacta. Scolari não os quis no seu "grupo", como também não quis Duda um extremo que tem o azar de competir com 4 dos melhores do Mundo para a sua posição, mas que tem a vantagem de ser o único esquerdino. Finalmente Danny. De todos os portugueses que partiram para Moscovo foi o único a triunfar, de tal forma que o Dynamo pediu uma fortuna ao Zenith pelo seu passe. A partida para a Rússia tirou dos radares da selecção naquela que foi mais uma prova da falta de profissionalismo de Scolari. Danny é um jogador interessante com um perfil similar ao de JV Pinto e que neste momento não existe na selecção.

A chamada de Carlos Martins é justa por aquilo que o jogador fez no Huelva. Resta saber se no Benfica manterá o nível. O problema de Martins é ser inconstante e psicologicamente volátil, mas na verdade é a única alternativa com o mínimo de credibilidade a Deco já que Moutinho continua afastado das posições de criação de jogo. Já o afastamento de Quaresma entende-se pelo facto do jogador não estar a actuar pelo FC Porto, e também porque a sua convocatória iria causar um certo embaraço a Jesualdo Ferreira, algo que o seleccionador preferiu, e bem, evitar. Mas tendo em conta que Ronaldo estará de fora nos primeiros jogos da qualificação para o Mundial, não deixa de ser preocupante Quaresma não estar já a ser integrado.

Do jogo de hoje não há nada a esperar a não ser um vitória, um jogo chato e muitos testes. Para já o que interessa é o trabalho de secretaria de Queiroz que me parece estar a ser de elevada qualidade.

1 comments:

Ricky_cord disse...

Queiroz goleou mas nada de euforias. Portugal apenas cumpriu a sua obrigação e Malta, o primeiro adversário na fase de apuramento para o Mundial, deverá criar um pouco mais de dificuldades.